domingo, 15 de outubro de 2017

PETAR - Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira.


Muito já se escreveu e se falou sobre o PETAR, a proposta aqui é juntar as informações técnicas mais relevantes através das fontes de pesquisas e somar com a experiência vivenciada "in loco" descrevendo nossas aventuras quando de passagem pelo parque.

O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) é considerado uma das Unidades de Conservação (UCs) mais importantes do mundo. Com mais de 350 cavernas cadastradas pela Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). Em 1999 foi reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.

Parque Estadual PETAR - São Paulo / Brasil.

Nosso ponto de partida para o PETAR foi a Pousada Casa de Pedra¹ em Iporanga², onde estávamos hospedados. O agendamento com a guia que nos conduziu nas aventuras se deu por intermédio da pousada que realiza o contato com guias credenciados mediante interesse dos aventureiros.

As visitas aos atrativos do parque são obrigatoriamente monitoradas, ou seja, é obrigatório a condução de um grupo, ou mesmo individual, por um guia (Monitor Ambiental). Os monitores podem ser contratados nas agências locais ou receptivas e pousadas da região. Essa prática gera emprego e renda local e dissemina um maior controle sobre as práticas de minimo impacto ambiental, bem como maior segurança aos visitantes.

É necessário um guia para grupos de até 8 pessoas, fechando o grupo com 9 integrantes, esse número é o máximo por turma, que pode ser formada por quantidades inferiores a 9. Em turmas cheias os valores costumam ser menores, pela quantidade, quanto menas pessoas os valores aumentam, mas nada absurdo, tudo ocorre dentro do bom senso e é conversado antes.

Na ocasião, nossa turma era de 5 pessoas mais a guia e em outra turma que saiu da pousada era formada por um casal (2) mais o guia. É melhor chegar ao parque já com o monitor para evitar correr o risco de não poder acessar.

Percorremos aproximadamente 17 Km em uma estrada de terra bem conservada até o Núcleo Santana, o escolhido para nossas atividades por ser o que concentra a maior parte dos atrativos. Na portaria paga-se uma pequena quantia para ingressar no parque. Leve dinheiro, pois não eram aceitos cartões nem moeda estrangeira.

Portaria do Núcleo Santana - PETAR.


Estacionamento no Centro de Visitantes do Núcleo Santana - PETAR.

Localizado no sul do Estado de São Paulo, entre as cidades de Iporanga e Apiaí, o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira / PETAR foi criado em 1958 para garantir a conservação do patrimônio espeleológico (cavernas e paisagem), arqueológico e paleontológico, e a biodiversidade da Mata Atlântica e das cavernas da região.

Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira / PETAR.

Com uma área de 35.884,28 ha, o PETAR reúne áreas nos municípios de Apiaí, Guapiara e Iporanga. Há 4 núcleos abertos à visitação turística: Santana, Ouro Grosso e Casa de Pedra em Iporanga e Caboclos em Apiaí. As populações vizinhas ao PETAR são diversificadas, incluindo comunidades quilombolas, ribeirinhas e de pequenos e médios agricultores.

PETAR - Unidade de Conservação do Estado de São Paulo.


Núcleo Santana - PETAR - SP / Brasil.

Das mais de 400 cavernas existentes no PETAR, mais de 350 já foram cadastradas, mas apenas 12 são abertas ao turismo, as quais são divididas nos 4 núcleos de visitação. Os Núcleos Santana e Caboclos concentram a maior parte dos atrativos, enquanto o Núcleo Ouro Grosso recebe um número maior de escolas e eventos. No Núcleo Casa de Pedra é possível visitar somente a entrada da caverna que conta com o maior pórtico do mundo com 215 metros de altura.

Abaixo estão as 12 cavernas do PETAR e seus respectivos núcleos, destinadas a visitação turística. Na atualidade algumas destas estão interditadas por conta da ausência do plano de manejo, ainda em elaboração:

NÚCLEO SANTANA:
  • Santana
  • Morro Preto
  • Couto
  • Água Suja
  • Cafezal

NÚCLEO OURO GROSSO:
  • Ouro Grosso
  • Alambari de Baixo

NÚCLEO CABOCLOS:
  • Teminina
  • Caverna Desmoronada (interditada)

NÚCLEO CASA DE PEDRA:
  • Casa de Pedra
  • Cristal (interditada)

REGIÃO DO LAGEADO:
  • Laje Branca (interditada)
Em nossa primeira atividade no parque, percorremos a Trilha da Caverna Santana, de nível fácil com apenas 87 metros tem como principal atrativo a Caverna Santana. No pequeno percurso é possível admirar a flora e avistar a fauna, que conta com um grande número de aves.

Trilha da Caverna Santana

Ao chegar à Caverna Santana para nossa surpresa, mas não para a guia, estava inundada pelo Rio Roncador que passa no interior de suas galerias, isso pela grande quantidade das chuvas.

A formação das cavernas na região ocorre a partir das águas pluviais saturadas de ácido carbônico, provenientes dos solos ricos e férteis da mata preservada, que penetram nas fissuras rochosas e desgastam o calcário presente no solo da região, abrindo dutos e galerias, e originando cavidades naturais, as cavernas calcárias.

Caverna Santana - PETAR.


Caverna Santana - Núcleo Santana - PETAR.

Dentro do Núcleo Santana há outros roteiros de visitação, um dos mais notáveis é a Trilha do Rio Betari. A trilha de 7.200 metros, percorre a margem do Rio Betari que possui flora e fauna exuberantes. No final chega-se a duas cachoeiras com quedas d'água de 30 metros: a Cachoeira das Andorinhas e Cachoeira do Betarzinho.

Trilha do Rio Betari.

A Trilha do Rio Betari é integrante do Passaporte do Programa Trilhas de São Paulo. Essa mesma trilha acessa as cavernas Água Suja e Cafezal. Infelizmente interditada na ocasião, também por conta da grande quantidade das chuvas.



Trilha do Rio Betari - Núcleo Santana - PETAR.

O PETAR, junto com outras Unidades de Conservação, situa-se no maior contínuo de Mata Atlântica Preservada do Brasil e integra a Zona Núcleo da Reserva da Biosfera.

Mais de 80% da população brasileira vive nos domínios da Mata Atlântica, da qual restam pouco mais de 7% do território original. Mesmo reduzida e fragmentada, seus ecossistemas ainda abrigam imensa riqueza de espécies animais e vegetais, e contam com os mais altos índices de biodiversidade do planeta. Por esses motivos a Mata Atlântica é considerada um dos 5 biomas mais ameaçados do mundo.

Trilha na Floresta de Mata Atlântica - PETAR.

A Floresta de mata Atlântica garante abastecimento de água para mais de 120.000.000 de pessoas, protegem a estabilidades das encostas, contribuem para o equilíbrio do clima e preservam um imenso patrimônio histórico cultural. O maior território contínuo de remanescentes de Mata Atlântica do país encontra-se no Estado de São Paulo, especificamente, no Vale do Ribeira e nas Serras da Mantiqueira, do Mar e Paranapiacaba.

Flora da mata Atlântica - PETAR.

A Mata Atlântica é um dos 34 hotspots de biodiversidade do mundo. Hotspots são áreas de alta biodiversidade, onde existem muitas espécies que só existem nesses locais, as chamadas espécies endêmicas.

A devastação ao longo do tempo eliminou mais de 75% da superfície original dos 34 hotspots do mundo. Hoje eles ocupam apenas 2,3% da superfície da terra, e neles vivem:
  • 75% dos mamíferos, aves e anfíbios mais ameaçados do mundo.
  • 50% das plantas conhecidas.
  • 42% dos vertebrados conhecidos.

Hotspots são importantes para o equilíbrio climático do planeta. As plantas e animais que vivem nessas áreas representam um verdadeiro tesouro para a ciência e são decisivas para o futuro da humanidade.

Flora no Núcleo Santana - PETAR.

Após a verificação da inundação e da impossibilidade de visitarmos a Caverna Santana e a Trilha do Betari, a nossa guia optou por outro roteiro de visitação chamado Trilha do Morro Preto e Couto onde encontraríamos como atrativos a Caverna do Morro Preto, a Caverna do Couto e a Cachoeira do Couto. 

O acesso às Cavernas Morro Preto e Couto é feito por um percurso sinuoso com degraus, estes, devido as constantes chuvas encontravam-se bastante escorregadios, os quais exigiam uma atenção redobrada. A visitação nesses atrativos citados foram bem sucedidas, entretanto, serão compartilhadas em postagens exclusivas, pois foram aventuras incríveis. 

Trilha do Morro Preto - Núcleo Santana - PETAR.


Rio Betari - PETAR.


Ponte sobre o Rio Betari na Trilha do Morro Preto - PETAR.

Depois de nossas aventuras nas cavernas  e nas trilhas do núcleo voltamos para o ponto de partida, o quiosque dos guias, nele há exposto em placas as normas de visitação para as cavernas do PETAR existentes devido a um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), assinado junto ao Ministério Público, IBAMA, ICMBio e CECAV.

O parque passou um período fechado (dois meses em 2008), por conta de alguns acidentes e ausência de um Plano de Manejo. Para reabertura do Parque foi elaborado um Plano Emergencial para cada caverna com normas referentes ao número de pessoas, horários de visitação entre outros.

Nas cavernas do Núcleo Santana foram criados horários de visitação conforme o Plano Emergencial em vigor, todos com saída inicial do quiosque dos guias. Grupos com no máximo 8 visitantes mais um Monitor Ambiental:
  • CAVERNA SANTANA - 09h às 15h com saída entre os grupos de 30 min. Podendo unir 2 grupos no mesmo horário. Capacidades de visitação por dia de 104 visitantes.
  • CAVERNA MORRO PRETO - 08h às 16h com saída entre os grupos de 20 min. Podendo unir 2 grupos no mesmo horário. Capacidades de visitação por dia de 200 visitantes.
  • CAVERNA COUTO - 08h às 16h com saída entre os grupos de 20 min. Capacidades de visitação por dia de 200 visitantes.
  • CAVERNA ÁGUA SUJA - 08h às 14h com saída entre os grupos de 20 min. Capacidades de visitação por dia de 102 visitantes.
  • CAVERNA CAFEZAL - 08h às 12h com saída entre os grupos de 20 min. Capacidades de visitação por dia de 106 visitantes.

Água potável no início das trilhas.

Apesar de toda estrutura do Núcleo Santana como Centro de Visitantes, estacionamento, banheiros, etc, as atividades nas trilhas e nos ambientes das cavernas são rústicos. Em determinados momentos você tem que pisar no barro, as trilhas são íngremes, em algumas cavernas é preciso atravessar trechos dentro d'água, há escadas para vencer alguns lances, em outros é preciso se abaixar e utilizar o auxílio das mãos. Nesse sentido, reforço que em alguns momentos você pode ser exigido fisicamente, mas afirmo, é super tranquilo.

Em cima disso foi criado uma série de normas e regras visando aumentar a segurança do visitante:
  • É obrigatório estar com Monitor Ambiental em todas as cavernas e na maioria dos atrativos.
  • É obrigatório o uso de calça, camiseta com mangas (pode ser curta, mas tem que cobrir os ombros) e tênis (não sendo permitidos o uso de blusinhas, regatas e sandálias).
  • Nas cavernas é obrigatório o uso de equipamentos de segurança como capacetes e lanternas.

As aventuras no PETAR foram incríveis, infelizmente não conseguimos ver tudo o que gostaríamos pela grande quantidade das chuvas, mas ficamos muito satisfeitos com as experiências vivenciadas no parque. Essas serão compartilhadas em postagens exclusivas.

O atual Gestor do PETAR em 2017 é o Sr. Rodrigo Aguiar.



PETAR - A MAIOR CONCENTRAÇÃO DE CAVERNAS DO BRASIL!!!!!!!!!!!!!!!!


COORDENADAS GOOGLE EARTH: 24º32'14.31"S - 48º42'00.35"O.


TEXTO: Valfredo Neves.
Fonte: PETARonline; Centro de Visitantes do Núcleo Santana; ambiente.sp.gov; Folder Turístico da Fundação Florestal; Centro de Visitantes do Núcleo Caverna do Diabo; Wikipédia.


FOTOS: Valfredo Neves.


VEJA AQUI NO BLOG:



CURIOSIDADE:
O logotipo do PETAR trás o Bagre Cego de Iporanga (Pimelodella kronei), o primeiro peixe de caverna descoberto e descrito no Brasil - Espécie endêmica das cavernas do PETAR.


sábado, 23 de setembro de 2017

CAPITAL DAS CAVERNAS - Iporanga SP.

Saímos de Santana do Livramento no RS, com destino a Iporanga SP, a maior parte do percurso foi pela BR 116, Rodovia Régis Bittencourt, foram aproximadamente 1300 Km. Quando entramos no estado de São Paulo fomos em direção ao município de Barra do Turvo, deste, até Iporanga são mais 46 Km de uma estrada de terra estreita e pedregosa. Então fica a dica pra quem vai do Sul do Brasil, ir até o município de Jacupiranga ainda pela BR 116 e de lá para Eldorado pela SP 193 e de Eldorado para Iporanga pela SP 165, o caminho aumenta, mas é todo pavimentado.

Chegamos em Iporanga com muita chuva, que foi companheira durante toda nossa permanência,  mas não atrapalhou as atividades ("É melhor sem chuva, mas fazer o quê?"). Ficamos por 3 dias e nos hospedamos na Pousada Casa de Pedra¹, nosso refugio para descanso e alimentação entre uma atividade e outra.

Em Iporanga buscávamos aventura, o foco eram as cavernas. Por possuir mais de 360 cavernas catalogadas Iporanga que em Tupi quer dizer "rio bonito" ( y = rio / porang = bonito) é considerada a CAPITAL DAS CAVERNAS. A maior concentração de cavernas do Brasil e, possivelmente, do mundo.

Iporanga a Capital das Cavernas.

Iporanga é uma típica cidade do interior com aproximadamente 4.400 habitantes. Histórica, situa-se no coração da Mata Atlântica, junto às margens do Rio Ribeira do Iguape e na Foz do Ribeirão Iporanga.

Igreja no Centro Histórico de Iporanga.

Iporanga junto com municípios vizinhos estão cercados por um mosaico composto de Unidades de Conservação (UCs) como o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), Parque Estadual Intervales, Parque Estadual Carlos Botelho, Parque Estadual Caverna do Diabo, Estação Ecológica do Xituê, Parque Estadual do Rio Turvo, Parque Estadual do Lagamar de Caneneia, Parque Estadual da Ilha do Cardoso, Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar, Área de proteção Ambiental do Quilombos do Médio Ribeira, Reservas Extrativistas, Reservas de Desenvolvimento Sustentável, outras APAs do Mosaico de Unidades de Conservação do Jacupiranga.

Iporanga - São Paulo / Brasil.

Passamos por algumas dessas unidades, porém destaco duas visitadas por nós, o Parque Estadual Caverna do Diabo e o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira - PETAR, que recebe esse nome por ser um parque aberto ao turismo e estar em uma região que fica acima do Rio Ribeira (Alto Ribeira).

Iporanga - Vale do Rio Ribeira.

Iporanga abriga 3 dos 4 núcleos de visitação do PETAR que apesar de ter centenas de cavernas, apenas 12 destas são destinadas a prática do turismo. A 14 Km do centro está localizado o Bairro da Serra onde existe várias opções de pousadas, todas com ares rústicos, mas com o devido conforto para receber aventureiros. O bairro fica próximo ao Núcleo Santana, o mais visitado do parque.

Rio Ribeira - Iporanga - São Paulo / Brasil.

Das 5 maiores cavernas do Estado de São Paulo 3 estão em Iporanga e 2 em cidades vizinhas, são elas:
  • 1ª Caverna de Santana - Iporanga - Mais de 8.000m, podendo chegar a 10.000m, pois ainda está passando por um processo de remapeamento.
  • 2ª Caverna do Diabo - Eldorado - 6.237m
  • 3ª Gruta das Areias de Cima - Iporanga - 5.565m
  • 4ª Gruta Areado Grande III - Apiaí - 5.000m
  • 5ª Gruta dos Paiva - Iporanga 3.692m

A Gruta Casa de Pedra ou Caverna Casa de Pedra que fica no Núcleo de mesmo nome no PETAR, possui o maior pórtico (entrada) do mundo ("Guinness Book") com 215 metros de altura.

Não foi possível fazer um maior número de atividades das quais gostaríamos, por conta das constantes chuvas. Contudo, ficamos muito satisfeitos com as atividades realizadas, foi incrível poder estar na maior área continua de Mata Atlântica do Brasil e ver como a natureza é forte e soberana nesse lugar preservado. Rios, cachoeiras, cavernas, fauna, flora, geologia, espeleologia, arqueologia, antropologia, tudo muito próximo e as vezes fundidos uns com os outros. Foi uma jornada inesquecível.

Foi sensacional nossa experiência em Iporanga. Esse breve resumo sobre a Capital das Caverna serve para darmos introdução as postagens mais completas em que abordaremos com mais detalhes o PETAR e cada uma de nossas visitas as incríveis cavernas da região...



"E O BIXO PEGANDO" EM IPORANGA A CAPITAL DAS CAVERNAS!!!!!!!!!!!!!!!



COORDENADAS GOOGLE EARTH: 24º35'07.71"S - 48º35'31.79"O.



TEXTO: Valfredo Neves.
Fonte: Wikipédia; Centro de Visitantes Núcleo Santana / PETAR; Centro de Visitantes do Parque Estadual Caverna do Diabo; Ipotur / iporanga.sp.gov.br; Viagemeturismo.abril; GPME; Lugarzinho.com.



FOTOS: Valfredo Neves.



VEJA:
Pousada Casa de Pedra¹ : 


VEJA A HISTÓRIA DE IPORANGA EM:




sábado, 16 de setembro de 2017

POUSADA CASA DE PEDRA - Iporanga SP.



Nossas postagens sobre hospedagens são simples e objetivas, as imagens geralmente são registros pontuais de nossa passagem sem invadir a visão comercial do estabelecimento, pois o público que desejamos alcançar são pessoas que assim como nós viajam com seus Pets (animais de estimação). 

Quando em Iporanga / SP em busca de aventuras em cavernas ficamos hospedados na Pousada Casa de Pedra, a qual havia feito contato anteriormente, para acertar com antecedência a permanência na pousada junto a nossos cães (2 daschunds).

Estacionamento da Pousada Casa de Pedra.

Tudo ocorreu sem problemas tanto para nós como para a pousada, na qual fomos muito bem recebidos e tratados com muita atenção e cordialidade pelos proprietários e seus funcionários.

 
A pousada fica em uma área muito próxima a Mata Atlântica.

Choveu os três dias em que estivemos em Iporanga, o que não impediu em nada as atividades que fomos realizar, visitamos pelo menos 2 cavernas no PETAR e 1 em Eldorado, as quais compartilharemos em postagens distintas. Depois de cada aventura a Pousada Casa de Pedra era nosso refúgio para descanso e alimentação.

Pousada Casa de Pedra - Iporanga.

A pousada fica em lugar muito agradável e estratégico, fica entre a Caverna do Diabo em Eldorado e os Núcleos do PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira) Iporanga / Apiaí. O pessoal nos falou tudo sobre as opções de aventuras que são várias como trilhas, cavernas, cachoeiras, etc. A cidade é histórica e típica do interior. 

A pousada tem contato com Guias especializados e credenciados para acompanhar nas aventuras, os quais são obrigatórios na entrada do PETAR, basta você demonstrar interesse, pois há um número de pessoas por turma. As turmas são apresentadas e saem geralmente após o café da manhã.

Pousada Casa de Pedra - Iporanga - São Paulo / Brasil.

É preciso agendar o almoço e a janta, que são preparados no fogão a lenha, refeições incrivelmente deliciosas. Durante o café da manhã é possível visualizar várias espécies de pássaros que vem se alimentar de frutas no final do corredor, onde são disponibilizadas pela pousada em um local especial, as aves vem, comem e partem livremente para o seu habitat natural.

Sempre pela manhã bem cedo na frente da entrada principal da pousada é colocado alpiste, farelo e quirela em forma de coração para as aves que ali fazem um banquete. Esse gesto magnífico, mostra todo carinho e respeito com a natureza por parte da Pousada Casa de Pedra o que começa encantando os hospedes já no primeiro horário da manhã.

Pousada Casa de Pedra - Carinho e respeito com a natureza!

Foi uma experiência incrível vivenciar todas essas coisas, saímos de Iporanga satisfeitos apesar da chuva. Fomos bem recebidos e acolhidos na Pousada Casa de Pedra e por isso fica essa postagem como recomendação a quem procura uma ótima hospedagem, que sirva como ponto de apoio para suas aventuras em Iporanga.

OBS.: Essa postagem é relativa somente a hospedagem em Iporanga. Nossas aventuras no PETAR e demais parques serão compartilhadas em postagens distintas conforme foram realizados os passeios.



POUSADA CASA DE PEDRA - CARINHO E RESPEITO COM OS HOSPEDES E COM A NATUREZA!!!!!!!!!!!!!!!!!


COORDENADAS GOOGLE EARTH: 24º35'26.92"S - 48º35'50.61"O



TEXTO: Valfredo Neves.



FOTOS: Valfredo Neves.



ENDEREÇO DA POUSADA CASA DE PEDRA:
Rua Rio Ribeira de Iguape nº517 - Centro - Iporanga - SP / Brasil.
Fone: (0xx15) 3556 - 1157.



SITE OFICIAL DA POUSADA CASA DE PEDRA:
No site oficial você encontrará imagens dos aposentos, instalações e atrações, bem como, passeios e atividades oferecidos, contato, reservas e muito mais.






terça-feira, 22 de agosto de 2017

BATALLA DE MASOLLER

Masoller é um vilarejo ou povoado que pertence ao Departamento de Rivera no norte do Uruguai. Fica na fronteira entre Brasil e Uruguai, onde na parte brasileira, está localizada a Vila Albornoz, pertencente ao município de Santana do Livramento - RS. Nesta região há uma área territorial brasileira contestada pelo Uruguai¹, também é onde está localizado o último marco fronteiriço da região, o 49-I, porém esses assuntos serão abordados em postagens exclusivas.

O que realmente nos chamou atenção em Masoller foi que no povoado aconteceu uma importante batalha da Revolução de 1904, talvez a mais sangrenta Guerra Civil da história do país.

No local há um monumento em homenagem ao General Aparício Saravia comandante das tropas do Partido Nacional ou como eram conhecidos "Blancos".

Em Masoller - Uruguai.


Monolito Batalla de Masoller - Uruguay.


 
Placas de reconhecimento homenageiam a campanha comandada por Aparicio Sarávia.

Num periodo de 7 anos (1897 - 1903) o país foi governado por Juan Lindolfo Cuestas, na época o Uruguai era dividido por dois partidos políticos, 6 departamentos eram governados pelos Blancos do Partido Nacional e os demais pelos Colorados, acordo conhecido como Pacto de La Cruz que teria encerrado a Revolução de 1897. Convocadas novas eleições, quem assume o governo do país é José Batlle y Ordoñes do partido Colorado, contrário a divisão partidária. Batlle queria reaver o governo dos departamentos para que o país tivesse um só governo e a guerra se tornou inevitável.

Ao longo da Campanha que duraria aproximadamente 8 meses, cerca de 15.000 revolucionários Blancos desafiaram os 36.000 soldados das tropas governistas (Colorados).

Os Blancos liderados pelo General Aparício Saravia repetiam as táticas da Revolução de 1897 com movimentos de tropas permanentes, batalhas isoladas seguidas de retiradas, recebiam material bélico vindos do Brasil e Argentina, e pretendiam estender o enfrentamento até que o governo se esgotasse e voltasse a negociar.
"Marchar separados, combater juntos" (Aparício Saravia).

Blancos / Partido Nacional

Por outro lado os Colorados liderados pelo governo central de José Batlle y Ordoñes se serviam de um exército mais organizado, mais disciplinado que usavam recursos modernos para época como a ferrovia para o transporte de armas, suprimentos e soldados, o telégrafo para comunicação rápida dos Generais com o Presidente e novas armas. Batlle dirigiu pessoalmente os movimentos militares e dividiu suas tropas em 2 grandes corpos: O do sul liderado por Justino Muniz e o do norte liderado por Manuel Benavente.
"Una sola ley, un solo gobierno y un solo ejército" (José Batlle y Ordoñes).


Colorados

Os primeiros enfrentamentos ocorreram no Departamento de Rivera, porém o primeiro combate de maior amplitude aconteceu em 14 de janeiro de 1904 na Batalha de Mansavillagra no atual Departamento de Florida.

Homenagem do Partido Nacional ao General Aparício Saravia.

Outros combates importantes marcaram a Revolução de 1904, que apesar da retirada dos Blancos na maioria deles, as batalhas se mostravam equilibradas. A inferioridade bélica dos rebeldes era compensada com a bravura de seus combatentes.

Batalhas da Revolução:
  • Mansavillagra - 14/01/1904.
  • Illscas - 15/01/1904.
  • Fray Marcos - 31/01/1904.
  • Paso del Parque (Rio Daymán) - 02/03/1904.
  • Paso de los Carros (Rio Olimar Grande) - 20/05/1904.
  • Guayabos - 06/06/1904.
  • Tupambaé - 22 e 23/06/1904.
  • Masoller - 01/09/1904.

Homenagem do Partido Nacional no campo de batalha.

Em Masoller há um palanque localizado ao lado da estrada (Ruta 30) que funciona como mirante para visualização do campo de batalha, hoje propriedade particular. Placas numeradas indicam acontecimentos durante o combate, mas infelizmente, não descobri em lugar algum o que realmente significam, pois não há legenda no local como existe por exemplo na Batalha de Arbolito² (departamento de Cerro largo).

Mirante em Masoller.


Campo de batalha em Masoller.


Hoje campos particulares utilizados na criação de gado.

Neste cenário em 1º de setembro de 1904, aconteceu um dos maiores combates da Revolução de 1904, equiparando-se talvez somente a Batalha de Tupambaé. 

Em Tupambaé, mortos e feridos contabilizaram aproximadamente 2.300 homens dos dois lados, em dois dias de combate.

Placa nº1 em Masoller.


Placas identificam acontecimentos no combate.

Anterior ao combate Batlle tirou Benavente e designou Muniz para o comando do Exército do Norte, que acampou em Tranqueras (povoado próximo), com a missão de deter o avanço dos Revolucionários para o oeste onde recebiam armamentos da Argentina. Porém com uma manobra bem planejada, Saravia entrou no Departamento de Artigas em meados de agosto o que ocasionou a demissão de Muniz que falhara em sua contenção. Batlle sem muitas opções, determinou que o Ministro da Guerra Eduardo Vázquez ocupasse as posições, o que o fez em Masoller, próximo a confluência territorial dos Departamentos de Rivera, Artigas e Salto em 27 de agosto de 1904.

Campo de Batalha em Masoller.

A Batalha de Masoller foi muito acirrada e equilibrada, os dois lados contavam com armamentos modernos, mas neste quesito o exército governista era superior, especialmente pelo uso das Metralhadoras Colt 7mm que disparavam cerca de 400 a 500 tiros por minuto, uma novidade para época. Não se sabe a quantidade exata, mas estima-se que as posições governistas tinham de 4 a 6 metralhadoras.

Essas metralhadoras já tinham se mostradas arrasadoras na Batalha de Tupambaé, sendo empregadas eficientemente contra as cargas da cavalaria revolucionária. Por esse motivo em Masoller não foi empregado cargas de lanceiros, foi empregada a cavalaria de ambos os lados, porém não com cargas de lanças.

Masoller - Uy.

As boas posições defensivas governistas que foram ocupadas sobre a cuchilha do Haedo, atrás de cercas de pedras - as quais foram construídas num período anterior ao alambramento existente hoje, utilizada para delimitar áreas para criação de gado (abordaremos esse assunto em uma postagem exclusiva) - também contavam com canhões Canet 75mm, porém estes com pouca precisão.

Canet 75mm.

A cavalaria governista contava com Carabinas Mauser 7mm (5 tiros), enquanto a infantaria dispunha de Fuzis Mauser 7mm com baioneta calada, porém em Masoller não foi empregado o enfrentamento a baionetas. 

Masoller - Uruguay.

O exército revolucionário por sua vez contava com Fuzil Remington 7 mm (mono tiro), Remington 11mm (porém este falhava muito), carabina 8 mm, winchester 44.40 entre outros. 

O diferencial inferior do Remington era que enquanto disparava 2 vezes, a Mauser governista disparava 5. Mas ambos eram rifles precisos de longo alcance.

Estima-se que 2 milhões à 2,5 milhões de tiros foram disparados na Batalha de Masoller. Porém não se tem dados da quantidade de mortos e feridos deixados pelo confronto.

Masoller

E ASSIM RESUMIU-SE O COMBATE:

As 10:00 hs da manhã do dia 1º de setembro as posições estavam definidas e ocupadas. Porém somente perto das 15:00 da tarde o General Aparicio Saravia ordenou os primeiro ataques revolucionários dando inicio ao combate.

Uma coluna revolucionária avança sobre o Cerro Lunarejo.

A Artilharia governista abre fogo com seus canhões Canet 75 mm. desde uma posição um pouco mais elevada denominada "Cerro Cachorros".

Os revolucionários atacam as posições governistas.

O combate é bravamente travado próximo as cercas de pedra, os revolucionários tomam algumas posições, porém não as ocupam por pensarem estar minadas, o que prontamente são retomadas pelos governistas. A estratégia revolucionária era esperar que os governistas ficassem sem ou com pouca munição, por conta do uso das metralhadoras Colt 7 mm.

A artilharia revolucionária dispara com seus canhões Krupp aos comandos de José Visillac.

s
Campo de batalha em Masoller - Uruguai.

O General Aparicio Saravia, buscando elevar a moral de seus soldados, os quais comandava lutando junto no campo de batalha, fez uma manobra muito arriscada se expondo à frente de sua cavalaria, porém no alcance do fogo inimigo. Facilmente reconhecido pelo uso de seu chapéu e do seu famoso poncho branco, foi atingido por um disparo no abdômen (da esquerda para direita), danificando rins e intestinos ficando gravemente ferido.

A cavalaria governista avançam além dos muros de pedras para atacar o exército revolucionário.

A infantaria governista contra-ataca reforçando e protegendo a cavalaria da sua vanguarda.

Com o General Aparicio Saravia gravemente ferido, não resta mais nada aos revolucionários do que bater em retirada.

O bravo combate foi ferozmente travado durante aproximadamente 3 horas, não sendo contabilizado o número de baixas. A Batalha de Masoller foi o último combate da revolução de 1904.

Masolller - Uruguay.

Os revolucionários conseguiram remover o General Aparício Saravia gravemente ferido para o Brasil numa estância que ficava aproximadamente 5 quilômetros da fronteira.

Aparício também recebeu os cuidados do estudante de medicina Arturo Lussich.

Depois de 10 dias o General Aparício Saravia morreu por conta da hemorragia interna causada pelo ferimento a bala. Os revolucionários não chegaram a nenhum acordo quanto ao nome que substituiria o General no comando das tropas, e por fim, sua ordem de atacar os governistas na manhã seguinte a sua remoção não havia sido cumprida sem seu líder os revolucionários não puderam prosseguir a campanha dando fim a revolução.

A oficialização do final do conflito foi realizada em 24 de setembro de 1904, onde Basílio Muñoz assinou a Paz de Aceguá, caracterizada como uma rendição, onde os rebeldes obtiveram somente anistia geral e uma vaga promessa de uma reforma constitucional, a qual aconteceria somente em 1918. As tropas revolucionárias entregaram as armas em definitivo em 9 de outubro em troca de uma pequena retribuição.

José Batlle y Ordóñez tinha ganho e pode governar o país sem nenhuma divisão, após esta que foi a última Guerra Cívil em território uruguaio.

Aparício marcou o final da era de políticos legendários de estampa gauchesca no Uruguai. Encerrava-se um ciclo revolucionário, que da perspectiva cronológica iniciou-se com a Revolução Federalista 1893 (sul do Brasil), passou pelo conflito Blanco em 1897 (Uruguai) e culminou na Guerra de 1904.

Monumento ao General Aparício Saravia no Parque Internacional em Rivera / Uruguai.

Masoller hoje é calma, local estrategicamente ainda interessante, faz a tríplice fronteira entre três departamentos uruguaios (Rivera, Artigas e Salto), fronteira com o Brasil, com uma extensão de terra ainda contestada, mas pacificamente. Monumentos e marcos de fronteira são atrativos interessantes, bem com as cercas de pedras ainda existentes, testemunhas atuantes do confronto centenário. 

O pequeno povoado fica próximo ao Valle del Lunarejo e também dos Laureles, cachoeiras escondidas, sua tranquilidade é quebrada apenas pelo barulho dos carros que passam de vez em quando pela Ruta 30. No mês de setembro sempre acontece a "Marcha a Masoller, A cavalo por Aparício", cavalgada em comemoração aos acontecimentos históricos.



MASOLLER - A ÚLTIMA BATALHA!!!!!!!!!!!!!!!!!!



COORDENADAS GOOGLE EATRH: 31º04'27.50"S - 56º01'13.59" O.



TEXTO: Valfredo Neves.
Fonte: Wikipédia.org (Aparicio Saravia); fdra-historia.blogspot.com.br (la guerra civil uruguaia de 1904); enlacesuruguayos.com (revolucion 1904); espectador.com (A 100 años de la Batalla de Masoller); Museo sin Fronteras.



FOTOS: Valfredo Neves.

Veja fotos antigas da época em: http://enlacesuruguayos.com/Revolucion.1904.htm



VEJA TAMBÉM:
¹ Área territorial brasileira contestada pelo Uruguai:

² Batalha de Arbolito:


 VIDEOS SUGERIDOS: